domingo, 14 de março de 2010

Linfogranuloma venério - aumento na incidência sugere surto mundial da doença

O linfogranuloma venério é uma DST causada pelo agente etiológico Clamydia trachomatis, uma bactérica cosmopolita cuja presença vem sendo identificada com frequência por nós profissionais de saude. Vale a pena conferir o artigo disponível na íntegra na rede Scielo. Recomendado pelo Dr. Thiago Monção

Autores:
Bruno de Lucia HernaniI; Sidney Roberto Nadal, TSBCPII

IAcadêmico do 3º ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
II
Supervisor de Equipe Técnica de Proctologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

RESUMO

O Linfogranuloma venéreo (LGV) é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pelos sorotipos L1, L2 ou L3 da bactéria intracelular Chlamydia trachomatis. Possui caráter endêmico em partes da África, Ásia, América do Sul e Caribe, e é rara em países industrializados. No entanto, vários casos foram diagnosticados em homossexuais masculinos, na Holanda, e desde 2004, essa doença vem sendo notificada por outros países da Europa, da América do Norte e Austrália. Esse aumento da incidência tem características de surto, e tem acometido homens brancos com menos de 35 anos que mantém relações sexuais com outros homens e apresentam infecções anorretais com diversos sintomas, que incluem dor retal, tenesmo e constipação. A maior parte dos pacientes (>70%) também está co-infectada pelo HIV. Depois das primeiras notificações, muitos países passaram a fazer buscas ativas em suas populações. Pela falta de um teste diagnóstico rápido e de uso difundido, os doentes com quadros sugestivos devem receber terapia antimicrobiana durante pelo menos três semanas. Há autores fazendo a mesma recomendação nas retites observadas durante a retoscopia, na presença de mais de 10 leucócitos por campo nas amostras colhidas com swab e nos doentes HIV-positivo.20 Acreditamos que o número de casos esteja também aumentando no Brasil e, por desconhecimento sobre a doença, a mesma não venha sendo diagnosticada. Sugerimos que a hipótese diagnóstica de LGV, seja afastada nos doentes que pratiquem sexo anal e apresentem úlceras na região ou quadros de retite.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-98802007000200017

quarta-feira, 10 de março de 2010

Idoso vítima de queimaduras: identificação do diagnóstico e proposta de intervenção de enfermagem

Cuidados de Enfermagem a vítimas de queimaduras sempre foram um desafio para a Enfermagem, porém não existe profissional mais habilitado para a prestação de cuidados a vítimas de queimaduras do que o enfermeiro. Em especial as vítimas idosas, as quais requerem maior atenção e a utilização de teorias de Enfermagem que possibilitem uma assistência diferenciada e holística. (Dr. Thiago Monção)
Vejamos o artigo recomendado pelo Dr. Thiago Monção

Autoras: Maria Célia de FreitasI; Maria Manuela Rino MendesII

IDoutora em Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-Universidade de São Paulo. Professora da Universidade Estadual do Ceará. maria.celia30@terra.com.br
IIProfessora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-Universidade de São Paulo

RESUMO

Estudo de caso que objetivou identificar os Diagnósticos de Enfermagem (DE) conforme taxonomia II da Nursing American Nursing Association (NANDA), em idoso vítima de queimaduras de 2° e 3° graus e elaborar as intervenções de Enfermagem. Foram identificados oito DE, sendo cinco com presença de características definidoras e fatores relacionados (atuais) e três de risco. Elaborou-se propostas de intervenção iniciando pelas necessidades relacionadas aos sistemas vitais, fisiológicos, base da hierarquia das necessidades humanas básicas. Ao final, observou-se a importância da aplicabilidade do processo de enfermagem na implementação do cuidado e a necessidade do mesmo no exercício do fazer cotidiano.

Artigo na íntegra disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672006000300021

terça-feira, 9 de março de 2010

Mielorradiculopatia esquistossomótica / Schistosomal myeloradiculopathy

Conheça a Mielorradiculopatia Esquistossomótica, a forma mais grave e incapacitante da Esquistossomose Mansônica, através deste artigo de revisão, recomendado pelo Dr. Thiago Monção, o qual é pesquisador na área.
Autores :
Luciana Cristina dos Santos SilvaI; Pedro Ernane MacielII; João Gabriel Ramos RibasIII; Sílvio Roberto de Sousa PereiraIV; José Carlos SerufoI; Luciene Mota AndradeV; Carlos Maurício AntunesI; José Roberto LambertucciI

IServiço de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG.
IIIRM/IMRAD, Belo Horizonte, MG
IIIHospital Sarah Kubitscheck, Belo Horizonte, MG
IVDivisão de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG
VServiço de Radiologia do Laboratório Hermes Pardini

RESUMO

A mielorradiculopatia esquistossomótica é a forma ectópica mais grave e incapacitante da infecção pelo Schistosoma mansoni. A sua prevalência em área endêmica tem sido subestimada. O diagnóstico baseia-se na presença de sintomas neurológicos decorrentes de lesões da medula espinhal em nível torácico baixo e/ou lombar alto, na demonstração da infecção esquistossomótica por técnicas microscópicas ou sorológicas e na exclusão de outras causas de mielite transversa. O tratamento precoce, com esquistossomicidas e corticoesteróides, mostra-se eficaz na maioria dos casos e os pacientes não tratados não se recuperam ou morrem. Não há consenso sobre doses e duração do tratamento, mas estudo recente sugere que os corticoesteróides devam ser usados por pelo menos seis meses. Como o diagnóstico é presuntivo e o tratamento essencialmente clínico, há que se manter alerta para a presença da doença, aperfeiçoar a propedêutica e, dessa forma, evitar-se a laminectomia rotineira. Com o advento da ressonância magnética da medula espinhal houve grande avanço no diagnóstico da esquistossomose medular. Como conseqüência, o número de casos de mielopatia esquistossomótica relatados tem aumentado rapidamente.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0037-86822004000300013&script=sci_arttext

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lei 10.778 - Uma vitória para nós profissionais de saude diante da violência contra a Mulher

Parabéns mulheres pelo grande dia! Merecem lembranças todos os dias do ano! Um abraço afetuoso do Dr. Thiago Monção


A Lei 10.778 de 24 de novembro de 2003 estabelece a notificação compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados.
Conheçamos essa lei que nos ajuda a notificar casos de violência contra a mulher, nossas clientes, resguardando nosso profissionalismo e oferecend-nos segurança para que este mal da sociedade não fique mascarado confiram:

Lei no 10.778, de 24 de novembro de 2003


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Constitui objeto de notificação compulsória, em todo o território nacional, a violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados.

§ 1o Para os efeitos desta Lei, deve-se entender por violência contra a mulher qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado.

§ 2o Entender-se-á que violência contra a mulher inclui violência física, sexual e psicológica e que:

I - tenha ocorrido dentro da família ou unidade doméstica ou em qualquer outra relação interpessoal, em que o agressor conviva ou haja convivido no mesmo domicílio que a mulher e que compreende, entre outros, estupro, violação, maus-tratos e abuso sexual;

II - tenha ocorrido na comunidade e seja perpetrada por qualquer pessoa e que compreende, entre outros, violação, abuso sexual, tortura, maus-tratos de pessoas, tráfico de mulheres, prostituição forçada, seqüestro e assédio sexual no lugar de trabalho, bem como em instituições educacionais, estabelecimentos de saúde ou qualquer outro lugar; e

III - seja perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que ocorra.

§ 3o Para efeito da definição serão observados também as convenções e acordos internacionais assinados pelo Brasil, que disponham sobre prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher.

Art. 2o A autoridade sanitária proporcionará as facilidades ao processo de notificação compulsória, para o fiel cumprimento desta Lei.

Art. 3o A notificação compulsória dos casos de violência de que trata esta Lei tem caráter sigiloso, obrigando nesse sentido as autoridades sanitárias que a tenham recebido.

Parágrafo único. A identificação da vítima de violência referida nesta Lei, fora do âmbito dos serviços de saúde, somente poderá efetivar-se, em caráter excepcional, em caso de risco à comunidade ou à vítima, a juízo da autoridade sanitária e com conhecimento prévio da vítima ou do seu responsável.

Art. 4o As pessoas físicas e as entidades, públicas ou privadas, abrangidas ficam sujeitas às obrigações previstas nesta Lei.

Art. 5o A inobservância das obrigações estabelecidas nesta Lei constitui infração da legislação referente à saúde pública, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Art. 6o Aplica-se, no que couber, à notificação compulsória prevista nesta Lei, o disposto na Lei no 6.259, de 30 de outubro de 1975.

Art. 7o O Poder Executivo, por iniciativa do Ministério da Saúde, expedirá a regulamentação desta Lei.

Art. 8o Esta Lei entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias após a sua publicação.

Brasília, 24 de novembro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Humberto Sérgio Costa LIma

José Dirceu de Oliveira e Silva

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 25.11.2003

Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/98170/lei-10778-03

domingo, 7 de março de 2010

Mal-estar e amor / Discomfort and love

Artigo recomendado por Dr. Thiago Monção

Autor: Jorge W. F. Amaro

Professor associado permissionário do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), psicanalista pelo Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise

ABSTRACT

The author begins trying to elucidade the concept of love and sex. He affirms that love is a human function developed through millennium equally as language. The environment and cultural apprenticeship will develop love. Sex is an animal instinct equal of any other animal. Sex is always attached to pleasure. Love is attached to protection and to give confort to life in a broad sense (biological and sociological life). The most abstract and developed type of love is when people search to protect human rights, ecology and religious ecumenism in a broad sense.

_________________

Durante mais de meio século, fui influenciado pelos modelos de pensamento da história, da antropologia, da sociologia, da economia, da psicologia, da psicanálise, da teologia e da psiquiatria, entre várias outras disciplinas. Em meus artigos e livros, sempre referi estudiosos desses ramos do conhecimento para embasar meus pontos de vista, já que constituíam minha fonte de referência.

Ao completar três quartos de século, dei-me o direito de seguir meu próprio modelo de pensamento (que, repito, carrega muito da influência recebida desses autores, além de um pouco de minha própria experiência). Não há nada de novo, pois este é o velho transformado. Creio que, nesta fase de minha vida, posso dar-me o direito de expor, a partir de minha experiência, minha maneira de conceber mal-estar e amor. Usar sempre os velhos modelos institucionalizados pelo establishment é não desenvolver a "individuação", aqui entendida no sentido dado por Jung.

O termo "mal-estar" é empregado no sentido de estar o indivíduo no mundo sem crescimento humanístico, sem desenvolver o amor. Esse mal-estar pode se expressar tanto por comportamentos como por sintomas físicos, psíquicos, sociais e espirituais.

Nos textos clássicos e em alguns dicionários, o termo "espiritualidade" está associado à noção de divino, de religião e de Deus. Na minha acepção, espiritualidade é uma função humana, que promove as forças de vida contra os mecanismos destrutivos oriundos de fora ou de dentro do próprio homem, sem nenhuma ligação com o divino. Essa vida pode estar contida no próprio indivíduo, em seus entes queridos e amigos, assim como no interesse genuíno manifestado pelos aspectos universais da vida do planeta, motivo do apreço pela ecologia, por exemplo, pelos direitos humanos ou pelo ecumenismo religioso.

O conceito oposto à espiritualidade seria o de algo que promove a destruição e a morte. Essa morte pode ocorrer no contexto biológico, psicológico, espiritual e social.

O amor é uma função do amadurecimento humano. A criança necessita muito, porém, ainda não ama. Tem o potencial de desenvolver amor, que, se devidamente estimulado, brotará como uma flor; porém, se não for estimulado pelo meio ambiente, irá se deteriorar. Por isso, as pessoas imaturas necessitam, mas não amam. Amor é função exclusiva da parte amadurecida da personalidade e nada tem a ver com o conceito de sexo, como querem alguns autores. Assim como a linguagem surge inata, como potencial, e só se desenvolverá se estimulada pela cultura, o amor é também um potencial inato da humanidade, que pode se desenvolver pela influência do meio ambiente.

O homem maduro desenvolveu uma função neutra de observador e a curiosidade pelo conhecimento (componente científico da personalidade), que se contrapõem a outras áreas adultas e infantis de sua personalidade, dominadas por desejos, emoções e memórias que o induzem a pensar e a agir por estruturas aprisionantes.

A história, a antropologia, a psicologia, a psicanálise, a sociologia etc. forneceram informações de que a mente infantil do indivíduo permanece o resto de sua vida arquivada nos registros cerebrais, como um software enraizado no hardware. O cérebro mantém arquivos e programas que foram estruturados em épocas pretéritas, com recursos imaturos e irracionais. O amadurecimento construirá novos diretórios e arquivos que possibilitarão ao indivíduo observar e viver experiências e emoções de uma maneira diferente, portanto, com uma reação diferente. É importante salientar que os diretórios e os arquivos da mente primitiva são constituídos não só de experiências positivas e negativas do desenvolvimento inicial do indivíduo, mas também de um potencial do acervo humanístico que ele herdou do desenvolvimento do Homo sapiens. Há, pois, um inconsciente pessoal e um outro coletivo de características universais. É nesse sentido de inconsciente coletivo, de características universais, que será usado o termo "Eu". O termo "Ego" é usado no sentido psicanalítico (Superego, Id e Ego).

Desde o início da história da humanidade, constata-se por relatos históricos e textos sagrados religiosos a existência de sentimentos que se manifestam como funções emocionais próprias do espírito humano, como inveja e gratidão; egoísmo e generosidade; vingança e perdão; intolerância e tolerância; renúncia e submissão; fidelidade e infidelidade; arrogância e humildade; onipotência-onisciência-onipresença e relativismo; pulsões de destruição e de construção; impulsividade e contenção; fidelidade na busca de um bem maior e mais abrangente e busca de um prazer imediato, mesmo em detrimento da fidelidade na busca de um bem maior e mais abrangente.

Os animais apresentam o instinto maternal, pelo qual a fêmea cuida e protege seus filhotes. Pesquisadores observaram que ratas virgens, postas em gaiola com ratos recém- nascidos, não se comportavam com maternagem e muitas vezes canibalizavam os recém-nascidos. Aplicando injeções de oxitocina nas ratas virgens, elas mudavam o comportamento e ofereciam maternagem para os recém-nascidos. O substractum da maternagem tem componentes instintivos e bioquímicos. É o lado imanente da maternagem. Com ela, inicia-se o desenvolvimento de certas funções, como tolerância, renúncia, fidelidade etc.

No ser humano, essa maternagem é usada não só para um recém-nascido, mas também para os aspectos imaturos e irracionais da criança que existe dentro de cada um. Nessas condições, não estaria só a serviço do instinto e da perpetuação da espécie, mas também do desenvolvimento do lado transcendente do ser humano, de seu amadurecimento espiritual e do amor. É a mais simples forma de amor, pois é um amor pessoal. Por esse amor, a mãe renuncia muitas vezes às necessidades próprias para cuidar do recém-nascido; perdoa sua irracionalidade; é fiel ao seu objetivo etc. Numa relação adulto e adulto, é necessário que essa maternagem esteja presente para que ambos possam ser continentes das crianças recíprocas, ajudando-as a crescer para manter a vida do relacionamento, e possam entrar em contato com a verdadeira intimidade do par em relação.

É comum ouvir-se a expressão "foi fazer amor" como sinônimo de relação sexual. Do meu ponto de vista, sexo nada tem a ver com amor e nada tem a ver com a verdadeira intimidade. Amor é o resultado de todas as funções já enumeradas: tolerância, humildade, gratidão, generosidade, noção de limites (um não à onipotência); capacidade de ser continente da criança que existe dentro de cada um etc. Sexo é um impulso biológico que induz o indivíduo a se aproximar do sexo oposto e a obter prazer (na origem animal do homem, há também raízes na perpetuação da espécie). Intimidade é a possibilidade de dois seres humanos entrarem em contato com a criança e a sua estruturação dentro da própria cabeça e da cabeça de seu interlocutor. Há casais que viveram juntos por muitos anos e não conheciam intimamente as crianças recíprocas. Não tiveram intimidade. A grande maioria dos conflitos reside aí. A curiosidade e a necessidade de observar são funções existentes no homem desde seu nascimento. A criança usa essas funções a serviço do prazer e do desejo e, posteriormente, da memória de suas experiências. Nessas condições, por falta de uma observação neutra, sem desejos e memória, a estruturação dos valores, dos sentimentos e de sua forma de sentir e pensar está contaminada pelo método usado.

A memória e o desejo derivam da experiência adquirida pelos sentidos; são evocações de sentimentos de prazer ou dor, promovendo formulações e teorias a serviço do prazer ou do desprazer. A disciplina dessas funções promove a liberdade da função de observação.

A criança continua a existir dentro do adulto. Por isso, em uma relação a dois, para haver verdadeira intimidade, é necessário descobrir como essa estruturação foi feita, e os dois adultos em relação, com muito diálogo e muita maternagem, devem se ajudar reciprocamente a diminuir a parte imatura da personalidade de cada um.

No mito de Narciso, a mensagem é de que o amor incondicional, sem limite, onipotente, destrói nossa personalidade, nossa identidade, nossa individuação e até nossa vida. É uma patologia que o ser humano tem de combater para proteger o verdadeiro amor, saudável, que é voltado para o outro ser humano e também para si mesmo. Ao amar o próximo, deve-se simultaneamente proteger o amor que se tem para consigo mesmo. Narciso representa pessoas narcísicas, para as quais toda a verdade, todo o bom, todo o conhecimento estão em si mesmos, e o outro deve existir somente para admirá-los e servi-los de forma submissa. Os narcísicos gozam com suas próprias idéias e não desfrutam prazer na interação humanística. Muitas vezes, alguns dogmas religiosos pregam o amor incondicional. No meu ponto de vista, é uma patologia para quem vive na realidade do mundo de hoje.

No mito de Édipo, vários códigos nos informam funções humanísticas globais. Assim, a Esfinge, que propõe enigmas, é um aspecto do próprio ser humano que necessita descobrir os enigmas dos aspectos formais e aparentes da relação humana, os quais possuem, em seu conteúdo, informações preciosas para o desenvolvimento humanístico do homem. Se, de um lado, o aspecto imanente aprisiona o indivíduo aos instintos, às necessidades animais básicas, de outro, seu lado transcendente o impele a buscar no conhecimento uma maior libertação (e nunca total libertação) de seu lado imanente. As pessoas que por ali passavam, uma após a outra, eram devoradas pelo monstro. As pessoas representam o lado mais universal do homem, que será destruído se ele não aperfeiçoar o conhecimento e decifrar os enigmas e os códigos de sua mente primitiva.

A descrição do Ego como representante do indivíduo e do Eu como representante de seu componente universal já foi exaustivamente feita por diferentes autores. O Ego, em seu componente imanente, leva o homem a buscar a própria satisfação (de características pessoais). O Eu, em seu componente transcendente, também leva o indivíduo a buscar satisfação (de características universais). O caminho do meio é a possibilidade de integrar essas duas necessidades, e quando, na encruzilhada da incompatibilidade, não for possível essa integração, a hierarquia de valores de cada um dará a opção. Como o bom ou o bem absoluto é uma entidade virtual, potencial e nunca atual e real, o indivíduo precisa de um bom ou bem operacional, que seria um bem ou bom relativo, porém, maior em contraste com um bem menor, também relativo, no entanto, atual. A noção de bem operacional deve ser empregada como um conceito operacional, usado como parâmetro provisório para uma pesquisa, com valor relativo, portanto, e destituído de significado absoluto.

A consciência e a admissão de que esse bom ou bem maior (evidentemente em relação a um bem menor) são de natureza relativa, e não absoluta, lhe conferem o potencial de mudança, de reformulações e aperfeiçoamento. Proponho, então, o seguinte modo de pensar: "Nos inúmeros e diferentes momentos das encruzilhadas na vida, em que o bem maior e o bem menor se apresentam ao indivíduo, é necessária a intransigente fidelidade ao bem maior. Ao constatar o erro da escolha do então aparente bem maior, é necessária a intransigente fidelidade à coragem de retroagir, assumindo a dor do tempo perdido, para novamente iniciar o caminho da busca do bem maior perdido e não estagnar a corrente da evolução".

A psicanálise clássica enuncia que há sempre uma repressão de impulsos pulsionais. Tanto a pulsão sexual quanto a pulsão da agressividade têm de ficar reprimidas. Tudo isso a serviço de um ideal de ego. A sublimação é vista como um mecanismo de troca de objetivo sexual original por outro, muitas vezes de valor socialmente mais elevado, considerado mais nobre. A constituição inata de cada um determinaria o quanto este indivíduo poderá sublimar. Em meu modo de pensar, a repressão não é só de impulsos pulsionais, que ofenderiam o ideal do ego e daí a necessidade de repressão. Há, concomitantemente, a repressão de necessidades mais universais, que já existem em potencial e ainda não foram desenvolvidas. A consciência prematura da destruição dessas necessidades mais universais poderia desencadear sentimentos de culpa com profundas necessidades de autodestruição, uma vez que perdoar é uma das funções do amor, que pode ainda não estar desenvolvido.

Apolo, o deus da verdade, é a expressão de um código, de um símbolo que representa as verdades e os bens mais universais da humanidade, que deverão ser decifrados para proteger a vida, o desenvolvimento humanístico e espiritual do ser humano, de modo que este não fique aprisionado por seu lado imanente. O relato do drama de Édipo, apresentado como uma fatalidade, apenas mostra o lado imanente do homem, que, muitas vezes, inconscientemente, na busca de um prazer mais imediato, destrói nesse caminho valores mais elevados, incompatíveis naquele contexto social e histórico, com aquele prazer. Não se trata exclusivamente de prazer sexual, mas de qualquer prazer ou desejo incompatíveis com valores mais universais e que poderão, se atuados, promover destruições graves. A felicidade aparente de Édipo e Jocasta durante os primeiros anos era o que se chama de defesa maníaca (segundo o conceito psicanalítico de defesa maníaca), em que os valores humanísticos mais universais estão inconscientes e a destrutividade, negada. Ao aperfeiçoar o bom e o bem por meio da psicanálise, o indivíduo corre riscos, pois o desvendar da verdade lhe mostra, dia a dia, que ele corrompe valores mais elevados por egoísmo, narcisismo, rivalidade, infidelidade aos bens mais universais, vício de adesão à necessidade do gozo mais imediato, intolerância, inveja, sede de vingança etc., correndo o risco, como referido, de ter de enfrentar a culpa pela destruição desses valores mais elevados. A praga que dizimava a população de Tebas seriam os valores mais elevados morrendo. A culpa provocada pela consciência dessa destruição pode tornar-se insuportável para o indivíduo (suicídio de Jocasta e autocegamento de Édipo). O ser humano tem de desenvolver a capacidade de perdoar-se, e, lenta e progressivamente, a possibilidade de, ao conscientizar-se desses enigmas e da destruição desses valores mais elevados, neutralizar a necessidade de castigar-se e consertar os rumos de sua vida. Às vezes, um analisando, de maneira altaneira e arrogante, como o fez Édipo, quer saber toda a verdade. Se não estiver preparado com poderosas forças de humildade, perdão, renúncia ao perfeccionismo estéril, poderá criar muitos mecanismos de autocastigo. A verdade é que, nas mais profundas entranhas do ser humano, estão valores universais que necessitam ser desenvolvidos, como é o caso, por exemplo, da difícil tarefa do respeito aos direitos humanos, à ecologia do planeta e ao ecumenismo religioso.

Há casos em que a alienação em relação a esses valores mais universais do Eu deixa-os ocultos e há uma inflação nos valores do Ego (como, por exemplo, nas personalidades paranóides), trazendo como resultado a estagnação do crescimento humanístico.

Citarei apenas um caso clínico para ilustrar meu ponto de vista sobre as afirmações contidas neste artigo.

Trata-se de um profissional liberal, recém-formado, sem filiação a nenhuma religião, que se apresenta à análise com queixas de pensamentos obsidentes, que surgem quando se aproxima de manchas pretas, negras, presentes no chão por onde deve passar. Não pisa nelas, pois a idéia obsidente é de que sua mãe morreria. Pula o espaço onde está a mancha preta. Não pode pisar nesses espaços, pois a angústia que o persegue é a de que sua mãe morreria. Racionalmente, não acredita muito nessa idéia, porém, emocionalmente, sente o perigo e tem de se desviar da mancha preta. Outra queixa é que apresentou crises esporádicas de impotência sexual, embora todos os exames médicos o considerem normal e saudável sobre esse ponto de vista. Refere também aversão por coroas de flores roxas, que lhe lembravam a presença da morte. Embora educado em família cristã, não se filiava a nenhuma religião institucionalizada.

Pesquisadores da história das crenças e das idéias religiosas já apontaram que, desde os primórdios da humanidade, o ser humano apresenta duas formas de conceber o mundo: a sagrada e a profana. Na forma profana, o ser humano se relacionava com a natureza de maneira natural e simples. Na forma sagrada, a natureza, o espaço, a coisa em si, se transformam qualitativamente, sendo vividos com poderes sobrenaturais. Diante do sagrado, uma complexidade estrutural aparece, como mitos, ritos, símbolos, figuras divinas etc. Essa função de sagrado está situada em um determinado momento histórico e social. O sagrado revela a função transcendente no homem. Na Bíblia, encontramos alusão ao espaço sagrado: "Não te aproximes daqui, disse o Senhor a Moisés, descalça as sandálias porque o lugar onde te encontras é uma terra sagrada".

As funções do sagrado e da onipotência do pensamento foram descritas e observadas pela história da civilização, pelas pesquisas sobre as crenças e as idéias religiosas e também pela psicanálise, pela antropologia etc.

Neste caso clínico, observa-se uma forma rudimentar de elaborar as funções de sagrado e da onipotência do pensamento. O espaço natural do chão, com manchas pretas, torna-se qualitativamente diferente, pois representa para o analisando um espaço sagrado, que não pode ser pisado, sob pena de um mal muito grande ocorrer (sua mãe morreria). De outro lado, sua onipotência de pensamento atribui ao espaço profano e inocente o poder de levar sua mãe à morte. O rito se estabelece ao andar de maneira sistemática, evitando o contato com as manchas pretas. Não pisando na mancha preta, salva sua mãe da morte. O bandido é a mancha preta e o mocinho é o analisando. Em psicanálise, é uma posição esquizoparanóide, com uso maciço de identificações projetivas. Seu lado de herói, que salva a mãe da morte, já era uma forma inconsciente de desenvolver suas forças de vida e seus valores mais universais reprimidos. Ao mesmo tempo, suas necessidades mais imanentes, principalmente suas pulsões de morte, de destruição, também estavam reprimidas da consciência e projetadas na inocente mancha preta.

Desde o início de sua psicopatologia, sua intenção, seu objetivo, era nobre, ou seja, preservar a vida de sua mãe. O problema é que os meios utilizados não favoreciam a finalidade, pois colocar fora de si suas forças de mortea incapacidade de tolerar frustrações, o egoísmo, a violência, a inveja etc. – impediam-no de atingir seus objetivos. Por outro lado, cortar o vínculo, não pisar, era um meio irracional e patológico de proteger a mãe. Assim também cortar o vínculo por meio de crises de impotência, ao se relacionar sexualmente com figuras femininas, era um meio irracional, que provocava sofrimento a si próprio pela vivência de incapacidade sexual e pela impossibilidade de desfrutar uma sexualidade normal.

Com o desenvolvimento da análise, ficou claro que o problema não era sexual, não era orgânico, mas apenas falta de desenvolvimento do único antídoto eficiente: o amor. Não havia desenvolvido ainda funções como tolerância à frustração, generosidade, renúncia em favor de um bem maior, gratidão, humildade etc. A repressão não era apenas da consciência de suas pulsões de morte, mas também de suas necessidades mais universais, do amor pessoal e do amor mais universal. Somente combater a repressão dos impulsos de morte levará um indivíduo a ser um sociopata quanto à sua conduta. A repressão perde sua necessidade quando surge o amor. Quando há amor, ele serve como elemento moderador e neutralizador de forças de morte presentes no indivíduo.

No caso clínico, podemos observar: 1) o bem e o mal estão separados (posição esquizoparanóide), sendo o bem identificado com o analisando e o mal com a mancha preta; 2) a mente do analisando sente que é onipotente para transformar as inocentes manchas pretas em depositárias das pulsões de morte e destruição; 3) cortar o vínculo, não estabelecer vínculo, foi o método encontrado pelo analisando para evitar o contato com sua parte imatura e destrutiva; 4) ao sacralizar um espaço profano, ao dar-lhe uma qualidade diferente e sobrenatural, o analisando já estava tentando elaborar, de maneira primitiva, as funções de sagrado e de sobrenatural; 5) os ritos por ele usados de pular as manchas pretas, de não pisar nelas, bem como o corte do vínculo ofereciam, por meio desses rituais, um apaziguamento da culpa, que lhe causava sofrimento (culpa persecutória — castigando-se); 6) não havia uma verdadeira reparação e uma integração (culpa depressiva).

A mente primitiva usa o prazer como antídoto de experiências de frustração e morte. A mente amadurecida usa o amor como antídoto. Nós, psicoterapeutas, temos o dever de, como parteiros da alma, ajudar o analisando a parir seus potenciais mais universais, que, em geral, estão reprimidos. Combater exclusivamente as forças destrutivas que estão reprimidas da consciência e que se expressam por sintomas somáticos e psíquicos, apenas tentando enfraquecer a repressão, sem concomitantemente desreprimir as forças construtivas universais, poderá levar o indivíduo a condutas sociopatas.

A história nos mostrou que a humanidade, após ter consciência de momentos de elevada autodestruição, como foi na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, esboça uma tentativa de buscar o interesse comum e mais universal dos povos. Criaram-se, assim, a Liga das Nações, após a Primeira Guerra Mundial, e a Organização das Nações Unidas, após a Segunda Guerra Mundial. A intenção seria promover a paz entre os povos e regular a vida internacional. Teoricamente, a intenção era buscar interesses comuns e valores mais universais. Na prática, os valores individuais, a incapacidade de atingir o interesse comum, o não-desenvolvimento de valores mais universais têm demonstrado a falência desse objetivo.

Nós, psicoterapeutas, não podemos mudar o grande mundo sociológico, porém, podemos, numa relação em escala minúscula, estimular, na relação psicoterápica, o desenvolvimento desses valores mais universais, pois somente por seu intermédio atingiremos a possibilidade de promover interesse comum, paz, respeito às diferenças, convivência e, caso não seja possível, pelo menos uma coexistência pacífica.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832006000600007&script=sci_arttext

sábado, 6 de março de 2010

A produção científica de enfermagem em saúde da mulher e da criança: programa brasileiro

Recomendado por Dr. Thiago Monção
Enfermagem medindo forças no Dia Internacional da Mulher
É interessante ver que pesquisadores se dedicam ao levantamento de publicações de certos temas tão importantes como a Saude da Criança e a Saude da Mulher. Cmpensa ler o resumo e se possível o tezto na íntegra.
Autoras: Tyrrell, Maria Antonieta Rubio; Cabral, Ivone Evangelista.
RESUMO:
Trata da produção científica de enfermagem no Brasil, especificamente na área da saúde da criança e da mulher, através de dissertações e teses. O interesse abrange a divulgação de resultados da produção por períodos, regiões e temáticas com o objetivo de determinar tendências e prioridades nacionais. A natureza do estudo é quantitativa com indicativos qualitativos. Os dados foram coletados nos catálogos do Centro de Estudos e Pesquisa em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem e na Revista Brasileira de Enfermagem, utilizando-se a análise documental. Os resultados mostraram uma tendência de expansão nacional e regional na medida em que se criam cursos/programas de mestrado e doutorado, com hegemonia da Região Sudeste. A contribuição da produção científica de enfermagem na área da saúde da criança e da mulher é significativa para a produção geral da enfermagem. As temáticas pesquisadas configuram uma preocupação de investigação na esfera do saber/fazer, portanto, focalizando a realidade objetiva no plano dos assistidos. Há necessidade de priorizar-se investigações em outras esferas temáticas.(Au)
Disponível em: http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=407339&indexSearch=ID
Acesso em: 08 e março de 2010

Programa Saude da Família: o enfermeiro na atenção à Saude da Mulher

Dr. Thiago Monção recomenda.
Em prol da Saude da mulher - 08 de março - Dia Internacional da Mulher
Link de acesso do artigo em formato PDF:
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/842/84201302.pdf

O enfermeiro e o tratamento de feridas: em busca da autonomiado cuidado / Nurses and wound treatment: searching for care autonomy

Artigo recomendado por Dr. Thiago Monção
Conheça o perfil do enfermeiro que cuida de feridas
Autores:
Ferreira, Adriano M; Bogamil, Daiane D. D; Tormena, Paula C.
RESUMO:
O cuidado com feridas é uma atividade do cotidiano do enfermeiro. Entretanto, esse cuidado esbarra naquestão da autonomia desse profissional em suas atividades junto aos pacientes portadores de feridas. Opropósito deste estudo é avaliar a Legislação de Enfermagem brasileira sobre a autonomia do Enfermeiro nocuidado de feridas na perspectiva da prevenção e tratamento. Trata-se de uma pesquisa descritiva exploratóriacujas fontes de pesquisas foram os sites dos Conselhos Regionais de Enfermagem (CORENs) da Federaçãobrasileira e o site do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), bem como textos que versem sobre oassunto. Constata-se escassez de legislação acerca da autonomia do enfermeiro no tratamento de feridas;uma vez que apenas 11 documentos foram compilados os quais estão distribuídos entre seis CORENs.(AU)

Wound care is a daily activity for the nurses. However, this care is limited to these professionals when theissue is their autonomy mainly in relation to activities with the patients with wounds. The purpose of thisstudy is to evaluate the Legislation of Brazilian Nursing on the Nurse's autonomy in the wound care accordingto prevention and treatment. It is an exploratory descriptive research whose sources were the sites ofRegional Council of Nursing (CORENs) of the Brazilian Federation and the site of Federal Council of Nursing(COFEN) as well as texts dealing with this subject. Legislation shortage was observed concerning thenurse's autonomy in the wound treatment; once only 11 documents were compiled which are distributedamong six CORENs.(AU)
Disponível em texto completo em: http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=522540&indexSearch=ID

Cuidado popular com feridas: representaçöes e práticas na comunidade de Säo Gonçalo, Cuiabá-MT

Artigo recomendado por Dr. Thiago Monção
RESUMO
Este trabalho é um estudo etnográfico desenvolvido junto aos moradores da comunidade de Säo Gonçalo, uma comunidade tradicional de pescadores e ceramistas do município de Cuiabá, estado de Mato Grosso. Teve como objetivo compreender o cuidado conferidas nesse contexto sócio-cultural. Como fundamentaçäo teórica adotou-se o conceito de cultura de Geertz e pressupostos da antropologia e da Teoria de Representaçöes Sociais. A coleta de dados foi realizada através de suvey e posterior coleta de narrativas de oito mulheres que foram as colaboradoras do estudo, utilizando técnicas de entrevista e observaçäo participante. A interpretaçäo dos dados possibilitou constatar que os moradores da comunidade de Säo Gonçalo têm modos peculiares de explicar as feridas, revelando uma concepçäo etiológica de multicasualidade - admitindo causas naturais, sociais e sobrenaturais - que orienta seus procedimentos terapêuticos. Sendo suas representaçöes baseadas em conceitos diversos e muitas vezes incongruentes ou opostos aos da medicina científica, suas práticas frequentemente se opöem-se àquelas preconizadas pelos profissionais pertencentes ao sistema oficial de saúde. Identifica-se assim, um hiato entre esses profissionais e a populaçäo, sendo possível inferir que este é gerado principalmente por barreiras linguísticas e culturais. Frente a estas constataçöes, discute-se a importância e a necessidade do estabelecimento de um diálogo intercultural entre esses dois grupos, o que poderá ser conseguido por meio de mudanças nos paradigmas que orientam o ensino, a pesquisa e a prática dos enfermeiros e demais profissionais da área de saúde(AU)
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DISPONÍVEL EM: